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O ponto fraco da aprendizagem por vídeo gravado

Uma das características que mais diferencia os vários modelos de formação é o maior ou o menor grau de interação humana entre formador-formando e formando-formando. A matriz seguinte classifica os diferentes modelos de formação em função do grau de interação humana na formação:

Poupando o leitor a uma explicação detalhada desta matriz, o modelo “In-Person Learning: menor autoestudo” é o que pode verificar o máximo grau de interação humana, enquanto o modelo “E-Learning: virtual assíncrona” destaca-se pela mínima interação ou mesmo pela sua ausência. São várias, amplamente reconhecidas e comprovadas as vantagens que existem para a formação resultantes da maior interação humana. Julgamos que as que indicamos a seguir serão as mais relevantes e suficientes para perceber até que ponto ela é importante na formação.

São óbvios os ganhos sociais da interação de todos os que estão envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. É o caso da aprendizagem das designadas soft-skills, as quais dependem muito da interação social. Além disso, a formação constitui uma oportunidade excelente para o desenvolvimento de relacionamentos pessoais que podem vir a ser contactos valiosos do ponto de vista profissional.

A interação formativa faculta a aprendizagem prática e estruturada assistida in-loco pelo formador, com a possibilidade de incentivo à correção imediata da má prática ou o elogio oportuno perante a boa prática. A aprendizagem é igualmente sobremaneira facilitada por práticas miméticas dos formandos entre si – o modo correto de praticar do colega serve de referência ao meu próprio modo de realização.

Estas e outras vantagens da interação humana não estão presentes no modelo de formação virtual assíncrono. Onde estas vantagens forem decisivas para o êxito da formação profissional, este é o ponto fraco deste modelo e que, neste sentido, o tornam não recomendável.

 

Com o recente surto pandémico, este modelo conquistou a preferência de muitos daqueles que queriam desenvolver as suas competências profissionais. Quem, certamente, mais beneficiou com esta situação foram os cursos dados através do visionamento de vídeos gravados. Isto é perfeitamente compreensível se atendermos ainda ao facto dos respetivos cursos terem preços muito competitivos, só possíveis pelo elevado número de participantes.

 

O que é preocupante é que, apesar de nos encontrarmos já numa fase pós-pandémica, a preferência muito significativa por estes cursos de formação subsiste e parece que está para durar. Cremos que a sociedade, a economia e as organizações, mas sobretudo os formandos, saem fortemente penalizados com esta tendência. O que se perde em capital social e eficácia formativa levará, estamos certos, a uma progressiva perda de terreno destas preferências de mercado.

 

Sem perder a vantagem do virtual e uma certa economia de preço, a formação síncrona, na forma audiovisual em tempo real, parece-nos ser uma alternativa superior, ao minorar as perdas mencionadas com esta tendência formativa atual.